quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Pesquisa em História da Educação

HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO COMO CAMPO DE POSSIBILIDADES INVESTIGATIVAS
Maria Silvia Bacila Winkeler
Disciplina: História da Educação
A lembrança não pode ser vista como uma coisa nostálgica, mas como uma forma de pensar o presente para se pensar o futuro sombrio. (Augusto Boal)
FONTES DE PESQUISA PARA A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO
As fontes de pesquisa em História e História da Educação vêm se transformando, nas últimas décadas, em foco privilegiado de atenção, traduzido por inúmeras publicações que tratam do que alguns autores denominam de novas fontes, como também de discussões sobre as novas tecnologias utilizadas para o registro, a organização e a preservação de documentos em banco de dados ou para a informatização de acervos documentais. Soma-se a isso, a publicação de coletâneas que disponibilizam e facilitam o acesso a fontes de investigação. (ANDREOTTI, 2005)
DIVERSIFICAÇÃO DE FONTES AMPLIA O CONCEITO DE DOCUMENTO
A diversificação de fontes de informação, consequência do alargamento dos campos da História, trouxe novos objetos e a ampliação das fontes, dinamizando o conceito de documento, que segundo BELLOTO (1991, p. 14) é qualquer elemento gráfico, iconográfico, plástico ou fônico pelo qual o homem se expressa.
APROXIMAÇÃO DA HISTÓRIA E A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO
A extensão de fontes para a pesquisa aproximou a História e a História da Educação de áreas do conhecimento, tais como, a Arquivologia, a Biblioteconomia e a Arqueologia. Atualmente, acrescentam-se as técnicas de informática, cada vez mais usuais no trabalho de armazenamento, organização e divulgação de informações. Com isso, o pesquisador da História e da História da Educação se depara com termos próprios de outras áreas de investigação, o que torna necessário revisitar certas definições.
ACERVO
No exame do conceito de acervo, palavra de origem latina que significa acumulação e muitas vezes referenciada como velharia, vem a ideia de passado, da acumulação de indícios, que se materializam em documentos, em bens ou em patrimônio. A quantidade é uma das variantes a que se submete o acervo que compõe os arquivos, as bibliotecas, os museus e os centros de documentação, onde encontramos um conjunto desses indícios, identificado com o que denominamos fontes de pesquisa, classificadas em primárias e secundárias.
FONTES: PRIMÁRIAS E SECUNDÁRIAS
O termo “fontes” está associado à origem, à procedência, à fonte de consulta que fornece informações. Na filologia, área do conhecimento que privilegia o estudo de documentos escritos antigos, fonte é termo identificado como texto ou documento original. As fontes de pesquisas para a História e as discussões em torno da especificidade desses documentos fazem parte de estudos como o de RODRIGUES (1969, p.143), que nos informa sobre os instrumentos dos trabalhos históricos, classificando-os em fontes primárias ou originais, como aquelas que contém informações de testemunho direto dos fatos e fontes secundárias ou derivadas, que contém uma informação colhida por terceiros. Uma mesma fonte pode ser primária em certos pontos e secundária em outros, completa este autor.
CATÁLOGOS E INVENTÁRIOS
No trabalho com fontes de pesquisa nos deparamos com publicações que recuperam documentos e trazem de forma ordenada essas informações. É o caso dos catálogosum trabalho instrumental com a função de qualificar ordenar informações, com o objetivo de divulgar os diversos documentos de um acervo, de uma biblioteca ou de um arquivo; como também a publicação de inventários, muitas vezes temáticos, elaborados a partir de um levantamento minucioso e sequencial nos catálogos disponíveis.
MUITO MAIS DO QUE COMPILAR INFORMAÇÕES...
Esses trabalhos não são mera reunião de informações, mas trazem consigo uma forma de conhecimento. A produção desses instrumentos de pesquisa, tais como, guias, catálogos e inventários facilitam, divulgam um acervo e diminuem a dispersão de informações. Da mesma forma assiste-se a um esforço de várias instituições na criação de Centros de Memória e de Documentação, de Museus Escolares etc., objetivando a coleta, a compilação e a preservação de acervos documentais de uma forma geral.
SAVIANI (2005, P.5) ADVERTE:
Os documentos são o ponto de partida somente se constituem em fontes de pesquisa a partir da indagação do pesquisador. Observa que as fontes históricas não são a origem do fenômeno histórico, não são as fontes da história, mas documentos que nos fornecem informações para a compreensão de dado fenômeno.
NADA É FONTE...
Nada é fonte de pesquisa até que o pesquisador formule suas questões ou como bem assinala HOBSBAWM (1998, p. 220), em geral, não existe material algum até que nossas perguntas o tenham revelado.
AS CONDIÇÕES...
No tratamento das fontes de pesquisa, algumas observações devem ser consideradas. Sem dúvida, o relato do processo da pesquisa, as dificuldades encontradas, o estado de conservação do material, as condições de guarda etc., são informações importantes, que esclarecem o trabalho de coleta e organização de fontes, complementadas com a descrição dos documentos, sua importância e especificidade, como uma etapa inicial do trabalho.
PARA ANDREOTTI (2005),
A necessidade de selecionarmos o material, o que corresponde a uma intenção e conhecimento prévio do pesquisador, que concedem, muitas vezes, olhares distintos sobre a mesma fonte de investigação; o cuidado em não nos deixarmos influenciar por uma visão impregnada do presente; a necessidade de ultrapassarmos a mera descrição do documento, observando que o documento não contém um caráter explicativo em si, são procedimentos que transformam essas fontes em objetos de pesquisa.
CERTEAU (2005),
“Observo o risco de se avaliar com os critérios do presente um debate do passado”
HOBSBAWM (1998, P. 229),
problematização dentro de um quadro explicativo e de um referencial teórico; a reunião de informações muitas vezes fragmentadas e as conexões possíveis com um universo mais amplo transformam as fontes em significados explicativos e levarão o pesquisador a não só descobrir o passado, mas explicá-loe ao fazer isso, fornecer um elo com o presente.
CUIDADOS, SEGUNDO ANDREOTTI (2005),
As fotografias são suportes que chamam a atenção por se constituírem em testemunhos que investem de caráter momentos que se perdem, que se transformam e muitas vezes, idealizados.
COMO SONTAG (1981, P.71),
A fotografia se apresenta como apenas um fragmento, e com o passar do tempo suas amarras se desprendem. À deriva, vai-se transformando em passado difuso e abstrato, aberto a qualquer tipo de leitura.
O BANCO DE DADOS
O projeto “Levantamento e Catalogação das Fontes primárias e secundárias para a História da Educação” elaborado em 1991, quatro anos após a criação do Grupo de Estudos e Pesquisas “História, Sociedade e Educação no Brasil” – HISTEDBR, foi uma proposta de trabalho coletiva visando a recuperação de fontes de pesquisa em História da Educação, como também aglutinar Grupos de Trabalho através de um projeto comum. Atualmente, esse é um projeto permanente de vários Gts que compõem o HISTEDBR e se constitui em um esforço de investigação e disponibilização de documentos necessários aos pesquisadores em História da Educação e como bem assinala LOMBARDI (2000, p. 145), é um trabalho instrumental e subsidiário para o desenvolvimento de projetos dos vários Gts.
PESQUISAS HISTÓRICAS E ALGUMAS POSSIBILIDADES DE COMPREENSÃO – SUGESTÕES!
OS SENTIDOS DA ALFABETIZAÇÃO – SÃO PAULO 1876/1994 – Maria do Rosário Longo Mortatti;
O MOVIMENTO DA MATEMÁTICA MODERNA NO PARANÁ 1960/1980 – Reginaldo Rodrigues da Costa;
INFÂNCIA E EDUCAÇÃO INFANTIL: UMA ABORDAGEM HISTÓRICA – Moysés Kuhlmann Jr.

Sugestões para elaboração de artigos científicos.

Sugestões para elaboração de artigos científicos.


TÍTULO CENTRALIZADO EM NEGRITO E LETRA 14

Nome completo do autor[1] - INSTITUIÇÃO
Maria Sílvia Bacila Winkeler[2] - UTFPR

Resumo

O resumo é escrito em letra 12 e espaço simples. Nele deve conter o seguinte conteúdo: a questão de pesquisa, os objetivos da pesquisa, a abordagem da pesquisa, os autores que sustentam a análise de dados e a indicação parcial dos resultados. De um modo geral os resumos contém de 250 a 300 palavras, mas depende muito das normas do evento ou da revista que vai receber o trabalho. A seguir escolha três palavras-chave que identifiquem o conteúdo do seu trabalho. Escreva-as com letra maiúscula cada uma delas e separe-as com ponto final.

Palavras-chave: Introdução. Desenvolvimento. Considerações.

Introdução
Agora começa o corpo do artigo. O artigo é dividido em três grandes etapas: a introdução, o desenvolvimento e as considerações. Em todo este corpo deverá sempre escrever com letra 12 e espaço 1,5. Os subtítulos – introdução, desenvolvimento e considerações finais sempre devem estar em negrito com tamanho 12 e escritos normalmente, como está no modelo.
Na introdução comece situando como o trabalho nasceu, com bases em que, a partir da curiosidade do pesquisador mobilizada por qual situação. Contextualize a questão e situe o leitor sobre o que ele encontrará no texto. Situe a pergunta norteadora, as subperguntas, os objetivos. Justifique a relevância do seu trabalho. Faça revisão bibliográfica que sustente o artigo. O artigo deve conter de 7 a 12 páginas.

Desenvolvimento
            Nesta etapa conte sobre a metodologia que utilizou para o desenvolvimento de sua pesquisa. Situe a abordagem, as técnicas de coleta de informações, etc. Conte sobre os dados obtidos e analise-os sob o enfoque das referências já apontadas na revisão bibliográfica.
            Ao explicar as informações obtidas é necessário relacionar com as fontes que sustentam o trabalho. Não deixe somente os dados, utilize-se dos autores também a fim de que a análise não fique rasa.

Considerações finais
            Nas considerações finais retome seus objetivos e analise-os se atingiu o que desejava, se sim, como conseguiu, se parcialmente, por que e assim por diante. Ao analisar cada etapa da pesquisa fará uma amarração com o que já fez e isto é muito importante porque denota a análise crítica do pesquisador.
            Ao encerrar as considerações traga novas perguntas ao trabalho, indique o que conseguiu  compreender com esta pesquisa e as novas pesquisas que você vê surgir a partir deste trabalho.

Referências
Siga as normas da ABNT.




[1] Graduado em XXXX pela XXXX. E-mail:
[2] Doutora em Educação pela PUCPR. Professora Adjunta do Departamento de Educação - DEPED – UTFPR-CT. E-mail: bacila@utfpr.edu.br

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Século XIX e a Educação Nacional

Século XIX e a Educação Nacional
Por: Maria Silvia Bacila Winkeler
Base na obra de:
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da Educação e da Pedagogia: Geral e Brasil. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2006.

No século XVIII a REVOLUÇÃO INDUSTRIAL começou a alterar a fisionomia do mundo do trabalho e no século XIX esses impactos são percebidos.
As novas máquinas modificaram profundamente as relações de trabalho trazendo a população do campo para a cidade.
O século XIX representou o período da consolidação do poder dos burgueses, que até então tinham sido os opositores ao regime aristocrático e feudal.
O contraste entre a riqueza e a pobreza era CRUEL nesse século em que a jornada de trabalho se estendia de 14 a 16 horas, inclusive mão de obra infantil e feminina.
Na onda do nacionalismo do século XIX, a Europa presenciou a unificação da Alemanha e da Itália, ambas em 1870. Na América, as colônias espanholas e portuguesas tornaram-se independentes.
EDUCAÇÃO – CARACTERÍSTICAS GERAIS
Enquanto o Estado se esforçava para oferecer escola gratuita para todos os ricos ainda procuravam escolas tradicionais religiosas.
Apesar da crítica dos religiosos à educação laica, lentamente os governos conseguiram intervir,  inclusive nas escolas particulares por meio da legislação.
Deu-se uma grande expansão da rede escolar (escola elementar, secundária e superior) e surge a pré-escola.
Na escola secundária manteve-se o dualismo curricular.
No ensino superior surgem as escolas politécnicas para atender às necessidades do avanço tecnológico.
Duas fortes influências:
- Froebel – jardins de infância;
- Pestalozzi – com a educação humanista e erudita na escola elementar.
FRANÇA
Desde a Revolução de 1789 os franceses defendiam a educação pública e gratuita.
No começo do século XIX Napoleão voltou seus interesses ao ensino superior deixando o ensino elementar a cargo das ordens religiosas SEM a GRATUIDADE tão defendida.
Após a queda de Napoleão (18 de junho de 1815) , quando foram reestabelecidas as relações com a Inglaterra,  os franceses aproveitaram-se das técnicas do ENSINO MÚTUO.
ANDREW BELL e JOSEPH LANCASTER
Entre 1815 e 1820 – abriram mil escolas com mais de 150 mil alunos. O projeto extinguiu-se em 1870.
INGLATERRA
Devido à tradição do Estado, a educação continuou como função da sociedade civil, subvencionada por igrejas ou fundações particulares.
A partir de 1830 o governo inglês implantou as public schools – inicialmente frequentadas por crianças mais ricas.
Robert Owen (1771-1858) fundou escolas para os filhos dos trabalhadores.
Ensino Mútuo.

MUDANÇA DA CORTE PARA O BRASIL
Com a vinda de D. João VI o Brasil passou por mudanças consideráveis: instalação da imprensa, museu, biblioteca e academias.
Na Assembleia Constituinte de 1823 – discussões sobre a educação voaram alto demais. Motivados pelos ideais da revolução francesa,  os deputados aspiravam um SISTEMA NACIONAL DE INSTRUÇÃO PÚBLICA.
Em 1827 finalmente foi instituída a LEI  “A ÚNICA QUE EM MAIS DE UM SÉCULO SE PROMULGOU SOBRE O ASSUNTO PARA TODO O PAÍS E QUE DETERMINA A CRIAÇÃO DE ESCOLAS DE PRIMEIRAS LETRAS EM TODAS AS CIDADES, VILAS E LUGAREJOS...”
Considerado ambicioso demais foi engavetado e esquecido antes de ser aprovado.
Na Constituição de 1824 havia menção para a criação de um sistema nacional de educação, mas não foi contemplado em 1827.
Elite educava seus filhos em casa com preceptores.
1867 – apenas 10% da população estava matriculada nas escolas.
Ensino Mútuo - desde 1819.
Reforma de 1834 – descentralizou o ensino elementar e secundário. Poder central somente o superior.
Apenas após a PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA (1889)  –  são instituídos os GRUPOS ESCOLARES.
MÉTODO INTUITIVO - MERIE PAPE CARPENTIER  (1815 – 1878) – sentidos são a porta do conhecimento.